Formação técnica
A cobrança sobre as equipes públicas aumentou — em dados, em inteligência artificial, em contratação, em transparência — e a capacitação disponível não acompanhou. Estas trilhas trabalham esse intervalo com exercícios da rotina da própria equipe. Cada uma tem objetivos verificáveis e um produto de trabalho definido, avaliado em sala.
1. Uso responsável de IA no serviço público
Carga: 8h (dois encontros) · Público: servidores e equipes técnicas de qualquer área · Pré-requisito: nenhum.
Ementa. O que um modelo de linguagem faz e o que ele não faz. Por que ele inventa com confiança, e como isso aparece num documento oficial. O que pode entrar em cada ambiente — ferramenta pessoal, ferramenta institucional autorizada, ambiente controlado — e o que a LGPD e as normas de sigilo pedem em cada caso. Como verificar uma saída antes de assiná-la: abrir a fonte, conferir o cálculo em ferramenta adequada, examinar omissões. Como usar IA para o que ela apoia bem (resumir, comparar, revisar, estruturar) e onde a verificação é obrigatória (fato, norma, número). Registro e rastreabilidade: como deixar claro no processo o que foi feito com apoio de IA. Exercícios com documentos reais da rotina da equipe.
Produto de trabalho: uma política de uso interna em rascunho, adaptada ao órgão, e uma lista de verificação de uma página — a versão pública e reduzida da lista já está publicada.
2. Lei 14.133 na prática de quem executa
Carga: 16h (quatro encontros) · Público: equipes de compras, contratos, planejamento e áreas demandantes · Pré-requisito: atuar em alguma etapa do processo de contratação.
Ementa. O passo a passo de quem monta o processo, e não a exposição geral da lei. Planejamento e estudo técnico preliminar com necessidade, alternativas e justificativas documentadas. Termo de referência com escopo e critérios de aceite claros. Pesquisa de preços defensável. Quando cabe dispensa, quando cabe inexigibilidade e por que a maioria dos problemas nasce de enquadramento errado. Fracionamento indevido: como acontece sem má-fé. Gestão e fiscalização do contrato — a etapa que gera mais achado e recebe menos treinamento. Publicação no PNCP: o que, quando e o que acontece quando não se publica.
Produto de trabalho: modelos de ETP e termo de referência preenchidos com um caso real do próprio órgão.
3. Transparência ativa e dados abertos
Carga: 12h (três encontros) · Público: ouvidoria, controle interno, comunicação e TI · Pré-requisito: nenhum.
Ementa. O que a Lei 12.527/2011 obriga a publicar independentemente de pedido, e por que cumprir isso reduz o volume de pedidos. Como funciona um e-SIC que funciona: prazos, fluxo interno, respostas que não geram recurso. A escada recursal do seu ente — quem julga o quê, e por que errar isso custa semanas. Formato importa: PDF de imagem dificulta acesso, busca e reutilização, e há diferença entre publicar e publicar em dado aberto. Obrigações declaratórias federais e o custo de não enviar. Como responder a um pedido difícil sem negar por reflexo — e como fundamentar quando a negativa é legítima.
Produto de trabalho: avaliação inicial de itens selecionados do próprio portal, feita pela equipe, e um esboço de plano de correção. O diagnóstico completo é serviço à parte.
4. Nota técnica e parecer defensáveis
Carga: 8h · Público: qualquer equipe que produza documento que sustente decisão · Pré-requisito: nenhum.
Ementa. Uma habilidade importante para equipes que fundamentam decisões: escrever um documento técnico claro, fundamentado e verificável. Separar fato, inferência e recomendação — e por que misturá-los é o erro mais caro. Citar fonte de modo que o leitor refaça o caminho. O que fazer quando o dado não existe (dizer que não existe é uma resposta técnica, não uma falha). Estrutura que o controle espera encontrar. Revisão adversarial: ler o próprio documento procurando por onde ele seria atacado.
Produto de trabalho: uma nota técnica real do órgão reescrita em sala.
5. Leitura de dado orçamentário e fiscal
Carga: 12h · Público: planejamento, orçamento, controle interno, assessorias técnicas · Pré-requisito: nenhum.
Ementa. O ciclo orçamentário e onde cada decisão é realmente tomada. Empenhado, liquidado e pago: a distinção que quase toda leitura pública erra. RREO e RGF — o que cada relatório revela e em que prazo. Limites da Lei de Responsabilidade Fiscal na prática. Como consultar o SICONFI e o PNCP diretamente, sem intermediário. Como comparar dois períodos sem produzir comparação enganosa. As armadilhas clássicas: defasagem de publicação lida como omissão, dado ausente lido como zero, e execução do mês corrente lida como total.
Produto de trabalho: uma consulta funcional às bases reais, feita pela própria equipe.
Formatos e contratação
Turma fechada (in-company): presencial em Brasília e entorno, ou online. Conteúdo ajustado ao órgão, com casos reais da rotina da equipe. É o formato que rende mais.
Turma aberta: por inscrição individual, quando houver demanda formada — útil para equipes pequenas.
Órgãos públicos contratam por dispensa, inexigibilidade, credenciamento ou licitação, conforme o caso — o mapa completo está em como contratar (detalhe em serviços). Para propor uma turma: contato@politica.bsb.br.